Departamento Religião - Textos

ASSARÁ BE TEVET   

O jejum do 10 de Tevet – Dia do Kadish geral

Quero com esta poucas palavras informar, não sobre o sentido clássico desta data do calendário judaico, mas sobre um outro sentido que lhe foi acrescentado no passado século.

Como sabemos o dia 10 do mês de Tevet é um dos jejuns menores, no qual recordamos o cerco feito à Jerusalém pelos Babilónios, que teve como consequência a destruição do Templo e o exílio dos Israelitas.

Com o holocausto Nazi, surgiram muitas situações nas quais várias famílias não sabiam e não podiam identificar a data de falecimento de seus queridos familiares assassinados durante a guerra. Com o nascimento do Estado de Israel e o estabelecimento dum corpo rabínico estruturado, HaRabanut HaRashit LeIsrael, o Rabinato Central Israelita, os rabinos consideraram a necessidade de estabelecer um dia para recordar os falecidos cuja data e circunstâncias de falecimento eram desconhecidas, sem necessariamente acrescentar um outro dia no calendário judaico, coisa de difícil cumprimento do ponto de vista da Halachá, a lei judaica.

Escolheram assim um dia já existente no calendário, um dia de luto, no qual todos os familiares dessas pessoas, pudessem cumprir os costumes de NaHalá, ou Yortzeit, ou Hazcará (diferentes nomes conformes a diferentes folclores judaicos, que se usam para indicar o aniversário de falecimento duma pessoa). Este dia foi o 10 de Tevet, ao qual foi acrescentado o nome de Iom HaKadish HaClalí, o dia do Kadish geral, com referência à clássica oração que é pronunciada por enlutados –  o Kadish.

É certo que existe uma data que é o Iom HaShoá, o dia de recordação da Shoá, mas esta sempre teve um conotação puramente cívica e não necessariamente religiosa. Portanto, assim falando, podemos dizer que o "Dia Religioso da Shoá " se tornou desde então o 10 de Tevet.

Mas este dia, o 10 de Tevet, não foi "fechado" só para os familiares dos assassinados durante a Shoá, mas sim um dia estabelecido para todas aquelas pessoas que queriam celebrar o aniversário de falecimento e dizer o Kadish, mas que entretanto não sabiam quando era este dia! Então para nós aqui em Portugal, pode ser uma ocasião para recordar as vítimas duma terrível desgraça acontecida no nosso país, a Inquisição.

Espero que estas poucas palavras tinham sido importantes para conhecer algo que em muitas comunidades da diáspora judaica é pouco conhecido e que nos futuros 10 de Tevet possamos também celebrar e recordar as vítimas da Shoa e da Inquisição.

Kol Tuv

Rabino Eliezer Shai

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17 de Tamuz

 

          Na tradição judaica, o 17º dia do mês judaico de Tamuz é um dia de jejum que recorda o fim do cerco à Jerusalém

          e a entrada pelas muralhas da cidade por Nabucodonosor (586 aEC) e por Tito (em 70 EC). Cabe recordar que estas

          invasões pelos muros da Cidade Santa se deram depois de meses de cerco, nos quais os residentes da cidade

         sofreram extremas dificuldades, como doenças e fome.

         Além disso, a Mishná relata outras tragédias que ocorreram neste dia ao longo da história:

 

bullet Quebra dos 10 Mandamentos – (prima aqui para obter mais informação)
bullet Fim das Oferendas Diárias no 1º Templo – (prima aqui para obter mais informação)
bullet Queima do Livro da Torá - (prima aqui para obter mais informação)
bullet Um ídolo é colocado no Templo – (prima aqui para obter mais informação)

Nesta data começam as três semanas de luto pela destruição de Jerusalém e o exílio do povo judeu.

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·   Quebra dos 10 Mandamentos - Depois do Matan Torá, a entrega da Torá, Moshé voltou para o Monte Sinai por quarenta dias para aprender

os princípios gerais e os detalhes da Lei, e receber os 10 Mandamentos. Mas, o Povo de Israel errou nos cálculos que Moshé deveria demorar, e,

no 39º dia de sua ausência (17 de Tamuz), temendo que ele não voltasse, construíram um ídolo, o bezerro de ouro. Quando Moshé viu que a

nação judaica, que acabava de selar um acordo com D'us, construíra um ídolo, foi possuído por raiva e jogou as tábuas com os 10 Mandamentos

no chão, quebrando-as em pedaços.

 

·    Fim das Oferendas Diárias no 1º Templo – Nos dias da destruição do Primeiro Templo, as paredes de Jerusalém foi invadido no dia 9 de Tamuz.

Apesar de os inimigos entrarem na cidade e espalharem desolação, não conseguiram entrar no Santuário, uma vez que os Cohanim se haviam

fortificado e continuavam a fazer as oferendas diárias. No 13º dia de Tamuz, os Cohanim não tinham mais ovelhas para a oferenda diária, então

subornaram os soldados que os cercavam com outro e prata em troca de ovelhas. No dia 17 de Tamuz, os soldados pararam de enviar as ovelhas e

pela primeira vez as oferendas diárias foram interrompidas.

 

·  Queima do Livro da Torá - No dia 17 de Tamuz, alguns anos após a destruição do Segundo Templo, durante o período do Procurador Romano

Cumenus, havia uma grande tensão entre romanos e judeus. Flávius Josephus relata a queima do Rolo da Torá por Comenus e suas forças: "Na estrada

real, perto de Beit Horon, ladrões compunham o cortejo de Stephanus, oficial do Império. Comenus enviou suas forças armadas para as cidades

próximas e ordenou a prisão de seus habitantes, que eram então trazidos perante ele. Era seu destino que eles não haviam sido bem sucedidos em

perseguir e capturar ladrões. Um dos soldados tirou o Rolo da Torá de uma das aldeias, rasgou-o e jogou-o no fogo... De todos os lados os judeus

se reuniam tremendo, como se toda sua terra estivesse ardendo em fogo”.

 

·   Um ídolo é colocado no Templo – Acredita-se que Apóstomos, oficial Romano, colocou um ídolo no Segundo Tempo, também no dia 17

de Tamuz.

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