CERIMÓNIA POR OCASIÃO DO DIA  INTERNACIONAL

DE MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO

 

 PRESIDIDA POR

Sua Excelência, o Senhor Presidente da República,

Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva,

 

RESOLUÇÃO 60/7 DA ONU DE 1/11/05 

SINAGOGA SHAARÉ TIKVÁ  - 27 DE JANEIRO DE 2008 – 20 DE SHEVAT DE 5768

 

Intervenção do Presidente da República

Discurso Presidente

 

Notícia na SIC

 

Programa Caminhos na RTP - 03/02/2008

 

 

 

 

 

Intervenção da Sua Excelência o Sr. Presidente da República - Prof. Aníbal Cavaco Silva  

Excelentíssimo Senhor Rabino Elyahu Birnbaum, representante do Grão Rabino de Israel,
Excelentíssimo Senhor Presidente da Comunidade Israelita de Lisboa,
Excelentíssimo Senhor Rabino da Sinagoga de Lisboa
Membros da Comunidade Israelita de Lisboa,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

A Assembleia Geral das Nações Unidas, através da resolução nº 60/7 de 1 de Novembro de 2005, criou o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, e escolheu o dia 27 de Janeiro, recordando assim a data em que, no já distante ano de 1945, foi revelada a verdade sobre Auschwitz.

Estamos aqui a cumprir um dever de memória. Compreendemos o que se passou? Não compreendemos. Não se pode compreender um processo racional, burocrático e sistemático, cuidadosamente planificado e arquitectado, para realizar o irracional.

No entanto, mesmo que as nossas palavras sejam irremediavelmente pobres para descrever o horror concentracionário, temos o dever de falar. Temos o dever de recordar um mundo de onde o Bem se ausentou, um mundo que negou o homem porque negou o direito a ser diferente.

Milhões foram martirizados, sobretudo judeus. Honramos a memória de todas as vítimas. Mas quando se nega tão radicalmente o homem, a maior vítima é a própria humanidade.

O trabalho de memória começa por ser um esforço de reconstituição de um passado que não pode ser negado. É mais do que um imperativo de justiça. Contra a indiferença, contra o esquecimento, é de uma pedagogia que precisamos: que todos saibam o que aconteceu para que todos sejam levados a agir de modo a que não volte a acontecer.

Por isso, a resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas instou todos os Estados a desenvolver programas de educação que transmitam às novas gerações as lições do Holocausto.

Permitam-me que recorde uma lição que nos foi legada pelo grande livro da sabedoria rabínica, o Talmude: aquele que é de todos o mais poderoso não é o que destrói o seu inimigo, mas o que transforma o inimigo em amigo.

Quando esta lição, válida em todos os tempos e para todos os homens, for verdadeiramente aprendida, alcançaremos a paz abundante e a vida boa para nós e para todo o Povo de Israel que a oração que há pouco partilhámos nos promete.

Fonte : http://www.presidencia.pt/?idc=9&idi=12703

JN - 28.1.08

Correio de Manhã - 28.1.08

 

Nacional

Holocausto: Presidente República sublinha dever de falar e recordar as vítimas

Lisboa, 27 Jan (Lusa) - O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, sublinhou hoje a importância de falar e recordar, considerando que a evocação das vítimas do Holocausto é "um dever de memória".

 

"Estamos aqui a cumprir um dever de memória. Compreendemos o que se passou? Não compreendemos. Não se pode compreender um processo racional, burocrático e sistemático, cuidadosamente planificado e arquitectado, para realizar o irracional", afirmou Cavaco Silva, na cerimónia realizada na Sinagoga de Lisboa por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Contudo, acrescentou, mesmo que as palavras sejam pobres para descrever o horror, "temos o dever de falar", "o dever de recordar".

"Milhões foram martirizados, sobretudo judeus. Honramos a memória de todas as vítimas", sublinhou.

Porque, continuou ainda o Presidente da República, "o trabalho de memória começa por ser um esforço de reconstituição de um passado que não pode ser negado".

"É mais do que um imperativo de justiça. Contra a indiferença, contra o esquecimento, é de uma pedagogia que precisamos: que todos saibam o que aconteceu para que todos sejam levados a agir de modo a que não volte a acontecer", referiu.

Recordando a "lição" deixada no "grande livro da sabedoria rabínica", o Tamulde, de que "aquele que é de todos o mais poderoso não é o que destrói o seu inimigo, mas o que transforma o inimigo em amigo", Cavaco Silva deixou também um desejo.

"Quando esta lição, válida em todos os tempos e para todos os homens, for verdadeiramente aprendida, alcançaremos a paz abundante e a vida boa para nós e para todo o povo de Israel que a oração que há pouco partilhámos nos promete", declarou.

Antes de Cavaco Silva, e já depois de uma pequena cerimónia religiosa, o presidente da comunidade Israelita, José Oulman Carp, falou igualmente na necessidade de acabar com o anti-semitismo, a xenofobia e todas as formas de discriminação para chegar "à paz universal" ou "unidade na diversidade".

Na cerimónia realizada hoje ao final da tarde na Sinagoga de Lisboa participaram, além do Presidente da República, o ministro da Justiça, Alberto Costa, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, representantes dos partidos, como o social-democrata Rui Gomes da Silva, os deputados o CDS-PP João Rebelo e Teresa Caeiro, o socialista José Lamego, e o Alto-Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, Rui Marques, entre outros.

O Dia Internacional em memória das Vítimas do Holocausto, que hoje se comemora, foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, através da resolução 60/7 de 01 de Novembro de 2005.

Foi a 27 de Janeiro de 1945 que as forças aliadas libertaram os judeus que se encontravam no campo de concentração de Auschwitz.

VAM. Notícias rtp.pt

 

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-01-27 19:30:02

 

 

Holocausto recordado como lição

Não se pode apagar o Holocausto da memória colectiva, nem da dos judeus nem da Humanidade, pois só assim se poderá prevenir novos genocídios. Basicamente foi esta a mensagem repetida, ontem, para assinalar o Dia Internacional da Memória das vítimas do Holocausto, celebrado na Sinagoga Shaaré Tikvá, em Lisboa.
"Estamos aqui a cumprir um dever de memória", defendeu o presidente da República que presidiu à cerimónia. Fez ontem 63 anos que as tropas russas entraram no campo de concentração de Auschwitz. O dia 27 de Janeiro foi, por isso, escolhido pelas Nações Unidas para assinalar o Dia das Vítimas.
"É mais do que um imperativo de Justiça. Contra a indiferença, contra o esquecimento é de uma pedagogia que precisamos que todos saibam o que aconteceu para que todos sejam levados a agir de modo a que não volte a acontecer", defendeu Cavaco Silva.
A resolução 60/7, de Novembro de 2005, da ONU também incita todos os seus Estados membros a incluírem nos seus currículos educativos o Holocausto, para que o período negro da História do século XX, sirva de "lição" para as gerações futuras.
Líderes da comunidade judaica juntaram-se ao presidente nos apelos contra o racismo, a xenofobia e o anti-semitismo. Cavaco Silva recorreu ao Talmude - livro sagrado judaico - para condenar o preconceito contra a diferença religiosa, política, étnica ou cultural "aquele que é de todos o mais poderoso não é o que destrói o seu inimigo mas o que transforma o inimigo em amigo". Fora da sinagoga, no entanto, o mundo acompanha com expectativa a escalada de conflitos que facilmente descambam em novos genocídios. Como o do Quénia, só para dar um exemplo. AI
- Jornal de Notícias

 

2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Holocausto: Parlamentares portugueses prestaram homenagem ás vítimas em Auschwitz

2008-01-27 19:47:53

Lisboa, 27 Jan (Lusa) - As comemorações do Dia da Memória das Vítimas do Holocausto é uma chamada de atenção à humanidade para que uma tragédia semelhante não se volte a repetir, disse hoje Luís Campos Ferreira, que representou os parlamentares portugueses.

"É uma chamada de atenção à humanidade de que nada disto se pode voltar a repetir", sublinhou o deputado do PSD à agência Lusa, acrescentando que "se calhar já está a acontecer em Darfur".

Luís Campos Ferreira e João Soares, que integram a associação de parlamentares europeus Deputados pela Paz, participaram hoje nas comemorações dos 63 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz, na Polónia.

"É necessário estarmos atentos ás movimentações que existem no mundo. Auschwitz aconteceu hoje, não foi no século passado, e foi uma tragédia feita por um povo [alemão] culto e preparado", afirmou o deputado português.

"Tendo acontecido hoje e por um povo preparado há a possibilidade de uma repetição", sustentou Campos Ferreira.

Cada delegação de parlamentares europeus acendeu uma vela pelas vítimas de Auschwitz, exactamente na zona das câmaras de gás, onde milhares de judeus foram mortos.

A cerimónia ocorreu também junto ao muro de fuzilamento, situado entre o hospital onde as mulheres eram esterilizadas e a prisão.

Aqui, a delegação israelita içou a bandeira de Israel, num sinal que quiseram dar ao mundo de que foi um povo que sobreviveu e que continua vivo, considerou Luís Campos Ferreira.

"Estamos aqui para festejar a vida e não a morte", foram as palavras proferidas pelos representantes de Israel.

Campos Ferreira adiantou à Lusa que teve a oportunidade de falar com sobreviventes do Holocausto, entre os quais um homem com mais de 80 anos que fez duas marchas da morte, uma das quais de 50 quilómetros, e que "teve a sorte e fortaleza física de ter sobrevivido".

O observador da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) salientou toda a actualidade que Auschwitz representa, pois "há imensas toneladas de cabelo" que têm sido mantidas até hoje, o que prova que algo de chocante se passou naquele local.

Cerca de sete mil judeus foram libertados pelas tropas aliadas do campo de Auschwitz, na Polônia, a 27 de Janeiro de 1945.

TSM.

Lusa/fim

keywords: politica

 

Remarks by Vice Prime Minister and Minister of Foreign Affairs Tzipi Livni
to the International Youth Congress
on International Holocaust Remembrance Day

Yad Vashem, 28 January 2008

 

 

Mr. Avner Shalev,  Chairman of the Yad Vashem Directorate,

H E  István Hiller, Hungarian Minister of Education and Culture,

H.E. Henri Etoundi Essomba, Ambassador of Cameroon and Dean of the Diplomatic Corps,

Distinguished members of the Diplomatic Corps,

Ladies and Gentlemen,

Dear Youth who are with us here today,

 

To be a Jew is to dream the Shoah, live the Shoah, and die in the Shoah without actually having been there.

To be a Jew is to try to imagine the horror, to stop as the most painful images engulf you, and to know that you are still so far from the pain endured by those who were there.

 To be a Jew is wanting to ask the elderly if they were there, and what they went through, and yet fearing to do so.

 To be a Jewish mother is to understand, with the birth of a second child, how impossible, how inhuman it would be to have to choose between her two children.

To be a Jewish mother is to look at your children and wonder if they are old enough to care for themselves without you.

To be a Jewish mother is to look at your children and to ask yourself whether the right choice would be to keep them with you or to tell them to leap off the train.

To be an Israeli is to know that you were reborn from the ashes of the victims and that you have a responsibility to the generations to come.

To be an Israeli child is to try to fathom the number six million but never being able to.

To be an Israeli is to live on streets named after entire communities that were wiped out because there are not enough streets to name after each one of the victims.

To be an Israeli is to live in a country that appears strong from the outside but is always aware of the vulnerability of its people.

To be an Israeli girl is to receive, as a Bat Mitzvah gift, the book of poems "There Are No Butterflies Here", written by children of the Theresiendstadt Ghetto, and to understand that these children were just like you, and all they wanted was to play, to live and to love.

To be an Israeli teenager is to visit the death camps in Europe, to see the scratch marks on the walls of the gas chambers of those who tried to get out, to see the "showers", the piles of shoes and hair, and never look in they same way again at things that are taken for granted by teenagers in other places.

To be an Israeli mother is to suddenly discover that you have passed on to your children the collective memory and experience of the Holocaust. It is to understand that although you wanted to spare your children the pain so that they would not have to bear the burden that you have carried all your life, as a daughter of the Jewish people you felt the need to pass on this memory so that they and their children and their children's children would remember. And it is to realize that the national cause has overcome your motherly feeling.

To be a Jewish leader in Israel is to ask yourself whether you would have seen the writing on the wall had you been there, and whether you would have made the right decisions at the time.

 

And it is, above all, to pledge never to forget.

 _________________________________________________________________________________________________________________

 

Dear Friends,

 

There are feelings and experiences which are failed by words the bigger the horror the more difficult it is to pass on the memory of the Holocaust to future generations.

I would like each of you to study the pictures here at Yad Vashem even if you are unable to pass on the magnitude of what you see, I would like to ask you to take only one memory with you, whether a picture of a living skẻleton, or of a pile of human bones, or that of a child, and to pass this image on.

One picture is a world. Each of these pictures screams out the horrors of the Holocaust and holds lives and dreams that vanished.

The terror, humiliation, helplessness, yearning for family, waiting for salvation from those who could do nothing to help - All these you should pass on to others, not to cause them pain, but rather to prevent these images from ever becoming a reality again. As soon as people will cease to think that such crimes are possible, and then they will cease to act to prevent them from returning.

Beyond remembrance of those who died, we are faced with an obligation to the future. This obligation rests on the shoulders of leaders, and on the shoulders of every citizen of the free world.

Horrors of such magnitude are the outset the product of a distorted mind of the leader but they are also the product of the Evil in uniform who agreed to execute, and of society that remained silent.

Anyone who has seen the pictures at Yad Vashem, beginning with people perishing in the Ghettos, understands that the writing was on the wall, and there were those who stood by and photographed.

The obligation to identify, to combat and protest against such phenomena is the responsibility of everyone. Decision makers, teachers and citizens whose ability to voice their protest depends on the understanding that his voice will not die, but will be joined by many others.

 As of today, you are all part of the voice which gives substance to the words and the promise of: Never again.

 

 

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